quinta-feira, abril 14, 2005

A política externa portuguesa debatida por um grupo de alunos do iscsp nos pastéis de belém

Por uma razão insondável esta palestra, acontecida ontem nos pastéis de belém, tinha como paineleiros falantes, jovens militantes de 3 jotas. Creio que o moderador fez uma referência ao facto de se integrar no contexto pós eleições e que a política externa fora um tema não debatido.

Ora se a política externa não foi debatida é porque nada existe para além das fronteiras nacionais e,por conseguinte, a existência de política externa em portugal é irrelevante. Ou melhor, existem apenas 2 países no mundo: portugal e espanha, as grandes potências que vivem numa luta eterna!!!

Parece-me que o debate seguiu estas linhas de alheamento total ao mundo e à realidade! Com efeito, os ditos militantes das jotas laranjas e rosas fartaram-se de debitar generalidades sem qualquer fundamento, clichés e lugares comuns, verdadeiras barbaridades para quem, pelo menos, até já foi a Badajoz provar os doces.

Segundo o representante da jsd o futuro estratégico de portugal passa por timor. Ora timor é um Estado de merda, que só tem umas reservazitas de petróleo, de qualquer forma já filadas pela austrália. Fartou-se ainda de dizer que portugal deve continuar a investir no brasil, porque somos um dos seus parceiros mais importantes. As empresas portuguesas, talvez com excepção da PT, já se arrependeram de investir no mercado brasileiro só por causa da lusofonia e da suposta vantagem competitiva que isso dá. Neste momento, a orientação predominante é avançar para a américa castelhana, que proporciona perspectivas de retorno dos investimentos muito maior que o Brasil, apesar da língua e da cultura.

Mas a descontextualização com a realidade não foi monopólio do preto que representou a jsd! O militante da js, por sua vez, destacou-se como perito em não saber nada de nada sobre o que quer que fosse. Não largou uma para a caixa, o que lhe vale é que tinha uma namorada perfeita, capaz de provocar uma erecção com tangentes quase verticais, mesmo que os conferencistas me tivessem a matar de tédio.

O tal moço sortudo benfazejo por Cristo ao receber tão bela namorada adorou falar do valor de áfrica e que portugal tem uma influência a explorar nesses territórios. Talvez fosse politicamente correcto dizer isto porque o representante da jsd era um preto tição. Não é preciso ir muito longe para demostrar que neste momento, a rede de influências em áfrica é dominada por china, EUA, áfrica do sul e o brasil em crescendo. Já ninguém sabe o que é portugal e muito menos falam português. Experimentem ir falar português, partilhar as raízes históricas e espirituais com um angolano do wambu! Sempre quero ver! Ou acabam racistas ou então fogem a 7 pés! Se não ambos.

De uma forma geral, o js só mostrou tem uma gaija toda boa. O jsd brilhou com sabujismo e, ressabiado ainda com as eleições, foi o único na sala a atacar o freitas do amaral. É verdade! O freitas foi defendido por várias pessoas da audiência e acabou por ser o tema mais quente! Já não bastava que a conferência mostrasse que a juventude portuguesa militante das jotas não faz ideia do que está para lá de elvas ou vilar formoso, como também também que se debate muito pouco conteúdo, só à base de clichés, e que os temas apaixonadamente debatidos são aqueles do quem é quem. E de vez em quando até podem largar esse grandioso chavão «É um homem de honra!»

Estou, por enquanto, a deixar de fora o grande camarada Daniel, paineleiro pela jcp. Pois é, o nosso camarada mostrou claramente inteligência e preparação e foi o único com um pouco de senso, tino e clarividência nas questões europeias e outras relação com o mundfo lusófono. A nossa juventude política centrista, ao que parece, é defensora acérrima do quinto império. Gostam imenso do mundo português. Não porque saibam quem foi o Padre António Vieira, mas antes porque o arquivo de banalidades que lêem repetidamente na imprensa nacional, se é que lêem, não lhes dá para mais. Só falavam da língua, áfrica, portugal do minho a timor. Idiotas!

O único momento de unanimidade surgiu com a possível entrada da turquia na união europeia. Todos se mostraram contra pelas razões mais totós que ouvi, saídinhas da cartilha do Le Pen! «Ai a cultura é muito diferente» e outras alarvidades destas. Como se a turquia não fosse um estado mais laico que espanha, portugal, itália, e até a própria escandinávia (o protestantismo infiltrou-se-lhes nas veias, na mentalidade, na ética, em tudo). Como se a turquia não fosse o país herdeiro do ilumismo árabe que a certo ponto dominou a europa, como se instambul não tivesse sido a capital do império romano do oriente, grande depositário do conhecimento da antiguidade clássica, quando as trevas pairavam sobre a civilizada europa cristã.

Mais uma vez o único capaz de uma explicação cabal para a não entrada da turquia foi o camarada daniel! Referiu e muito bem, as fronteiras estranhas da turquia e o problema do seu controlo, bem como o sistema de partilha de poder no Conselho, baseado na população. A turquia tem tantas pilas e vaginas como a alemanha!

Antes do início da tertúlia, estávamos eu o Daniel a examinar as nossas possibilidades de vir a prosseguir os estudos superiores no seminário, quando fomos abordados por uma loira ranhosa com manias de grande beleza, que nos perguntou «vocês são comunistas?». Tal e qual lhe deveríamos parecer aves raras e estranha! Começou a confraternizar connosco, mas imediatamente um gordo bardajão da jsd a pôs em sentido e levou-a de novo para a correcta e aceitável conversa do grupo, envolvendo piadas de como Saramago na verdade era espanhol e outras dejecções do género.

Eis uma nacionalidade que rejeita uma das suas figuras por ser de ideologia contrária; uma nacionalidade que não sabe, não quer saber e tem raiva de saber. O problema de Portugal não é a competitividade, é a alarvidade!!

segunda-feira, abril 11, 2005

Uma nova viagem

Desta vez não preciso de visto, nem de bilhete de avião. Muito menos de fazer as malas. Desta vez é uma viagem pela Europa sem sair do sítio.

Depois da há 2 anos ter participado na primeira convenção de jovens sobre o futuro da europa, realizada no iscsp, agora preparo-me para participar na segunda edição. Apesar de ainda não ter recebido uma resposta definitiva da organização, quer-se-me parecer que vou ser um dos 72 eleitos, que ao longo de 3 dias irão debater o futuro da europa, presumindo que a constituição entra em vigor.

Quero ficar no grupo de trabalho com temas económicos. Os outros eram todos uma grande chacha, defesa (certamente muito apreciado pelos natistas e militaristas alunos de RI), a identidade europeia (uma ilusão de burocratas em bruxelas), instituições (já me bastou a merda de estágio que fiz na DGAC, isso é uma seca) e um menos mau que aborda futuros alargamentos. Aí o assunto turquia deve ser inevitável. Seria bastante interessante ir para lá com uma postura xenófoba e citar o Le Pen no texto final do Grupo de Trabalho, que depois serviria de base à declaração final da convenção!

Mas como neste momento boa parte da minha vida anda à volta de economia e matemática e me começo a sentir à vontade com essas matérias, decidi-me por isso. Lá diz o Catarino que o Estado é dinheiro e, para mim, a união é uma bela vaca leiteira. É mais importante saber se o orçamento da união descresce do que o resultado do referendo na França. Referendos se saiam mal, faz-se outro, como no aborto! Agora sem dinheiro não há vícios e sem euros a união não faz ponta de corno para subornar os descontentes!

Pretendo pois ir escrevendo aqui um relato dos acontecimentos de 3 dias de convenção. Não as partes do debate, mas os bastidores, as negociações, que prometem ser divertidas. Acho que se as pessoas pudessem saber o que se passa nos corredores das Nações Unidas ficariam muito mais interessadas em questões internacionais.

A dita cuja vai acontecer nos dias 26, 27 e 28 de Abril. Talvez tire também algumas fotos e as ponha aqui, se houver GAIJAS BOAS!!!

Para se inteirarem mais do que é a convenção.

terça-feira, abril 05, 2005

Fotografias!

Aparecem aqui 5 fotografias de um total de 72, que ilustram toda a viagem. Cliquem em qualquer das que estão em baixo e serão levados para um site onde podem ver todas, ler as descrições de cada foto e até fazer comentários às fotos.
Apreciem!!


segunda-feira, abril 04, 2005

Fait Divers

E para acabar vou falar de um australiano! Estávamos nós na estação, mais uma vez a olhar para os horários e a tentar decidir que comboio apanhar e eis que de repente nos surge um australiano «É tão bom ouvir native speakers». Explicámos-lhe as proveniências de cada um ao que ele comentou «Oh! The Algarve is so beautiful! Much better than Crimea». O nosso recém amigo australiano estava há um mês na ucrânia à procura de mulher! Foi muito aberto connosco. Disse logo que andava à procura de uma com um filho se não, quando voltasse, punha-lhe logo os cornos e ao fim de 6 meses já não tinha mulher.

Tinha uma opinião bastante diferente da ucrânia. Andava só a lidar com o submundo de chulos e prostitutas, traficantes e traficadas, portanto imagino que num mês consegui ver as piores coisas da ucrânia. Todo o seu semblante dava a entender isso. E também como estava enternecido por encontrar quem falasse inglês e que não o quisesse explorar por ser um turista idiota que não fala ucraniano.

Houve outro episódio em kiev que deixa ver como a ucrânia ainda precisa de reformas. Enganámos na saída do metro. E aquilo lá funciona em sistema de via única, vais já não regressas! Tentámos descer por umas escadas onde estavam dois polícias parados sem fazer corno. À nossa frente passou uma gaija toda boa. A nós barraram-nos e pediram dinheiro para passaramos: 1 hrivnia (cerca de 20 centimos de euro)! A corrupção é tanta que chega a ser ridícula!!

Como bons ocidentais cheios de moralidade mandámo-los cagar.

A polícia e as forças armadas

São aos milhares mas não fazem nada! É difícil andar por uma rua sem se cruzar com algum tipo de farda, mas são uns verdadeiros inúteis. Simplesmente passam o dia a olhar e estão-se bem nas tintas para o que se passa. Nunca me pediram para ver o passaporte, apesar de eu ter claro ar de estrangeiro. Um dia, nos comboios, duas babushkas cairam nas escadas rolantes, estando uma maralha deles cá em baixo na palheta. Viram o espectáculo todo e ainda se riram. Nem se deram ao trabalho de ver se as pessoas estavam bem! É uma espécie de GNR, mas sem bidode!

O emprego

Parece que há emprego para todos! Normalmente quando se entra numa loja são mais os assistentes de loja (chegam a ser 5 para uma pequena loja de informática) que os clientes! Aconteceu-me muitas vezes entrar no sítio e ver as coisas assim. Como é que aqueles negócios conseguem sobreviver é que não sei! Vender, não parece que o façam e têm que pagar tantos ordenados... Devem ser fachadas de mafiosos!!

Tipos de emprego

Ficar parado a olhar para o ar! Não são só as fardas, mas de uma forma geral parece ser apanágio da força laboral simplesmente estar sentada algures ou encostada a olhar para os clientes. Podem ser caixas, seguranças, empregados, etc... Por exemplo, no metro há uma babushka fardada para cada escada rolante, cuja única tarefa é olhar todo o dia para as escadas rolantes e as pessoas a passar!

E ainda se queixam da produtividade portuguesa!

Fotografias

Estou com algumas dificuldades em conseguir botar aqui as fotos, mas ainda não desisti!

Aguém me fez uma boa pergunta aí nos comentários do post abaixo. Portugal tem muitas características únicas, algumas das quais só um português para as cheirar ao longe. Depois de 12 dias sem contactar com nada de português, exceptuando o João Engatatão, quando cheguei à porta de embarque do aeroporto de amesterdão para lisboa, entrei de novo em contacto com a nacionalidade tão única que é a nossa. Por exemplo, até agora, pelo que vi, somos os únicos que batemos palmas quando o avião aterra! Mas isso até é divertido. Foi um choque pela diferença tão grande que existe nos modos de ser da ucrânia e de portugal.

Cumprimentos a todos!

domingo, abril 03, 2005

The end

Pronto, voltei!

Custou-me a abandonar a ucrânia! Foram 12 dias de viagens loucas, sítios espectaculares, surpresas constantes e a conclusão de que os ucranianos são divertidos e hospitaleiros. Sobretudo aqueles que não têm medo de admitir a sua herança russa e que percebem a falácia do ocidentalismo ideológico. São mais seguros de si e sabem quem são.

Para além disto, adorei conhecer os americanos que por lá andavam e sobretudo a Marisela. Marisela a mãe do povo, uma senhora espectacular que muitas vezes nos alimentou e sempre nos recebeu bem! Até me fez um snack para trazer no avião!

Portugal foi um choque! Nem imagino o que será para um imigrante ucraniano.

Até amanhã espero ter aqui também as tão prometidas fotografias. Pelo menos duas de cada sítio onde estive, as mais espectaculares. Vão consultando para ver tudo. De qualquer forma fica já combinado que quem quiser pode ver as fotografias todas.

YA LOVE UKRAÏNA

PS: Guida! As mulheres ucranianas são todas boas, mas tu és melhor!!!

O Oeste ucraniano
Kamyanets-Podilsky

Como o bom viajante não pára quieto, sobretudo quando pode viajar em kardpladz nos fascinantes comboios soviéticos que ainda circulam na Ucrânia, eis-nos a caminho, não de Viseu, mas de Kamyanets-Podilsky!

Depois de mais de 12 horas de viagem, o comboio deixou-nos numa estação deserta. Tinha todo o aspecto de ser apenas um apeadeiro, o que se veio a confirmar depressa quando procuramos os horários de saída de volta a kiev. Não existiam! Não havia qualquer comboio para fora daquele lugar! Apenas umas coisas que faziam percursos locais.

O exterior do apeadeiro mostrava a antiga glória socialista, que levava o progresso até aos pequenos lugarejos. E realmente, aquando da construção, aquele lugar deveria ter sido bastante garboso. Actualmente, contudo, está sujo, degredado e é o exemplo perfeito da decadência pós soviética. Kamyanets-Podilsky é uma cidadezeca em agonia, agora que as industrias morreram todas.

Cidadezeca, como quem diz. Os padrões soviéticos são bastante alargados, em comparação com portugal. Aquela localidade pobre ainda assim estava construída numa dimensão enorme para a sua importância. Creio que isso tenha a ver com a grandeza que o regime comunista pretendia para si. Tudo era grandioso, feito à medida dos heróis do operariado, superhomens. É como na estação de kiev! Ainda tocam as marchas militares para motivar o povo!!

O tempo não tratou mesmo nada bem Kamyanets-Podilsky. O caminho da estação dos comboios para a estação dos autocarros, levou-nos por ruas esburacadas, cheias de pó, pequenos bairros residenciais extremamente degradados, uma quantidade enorme de ciganada (Kamyanets-Podilsky fica muito perto da fronteira romena, esse berço de todos os ciganos do mundo e arredores). A estação e o mercado, lado a lado, foram uma experiência só por si! Os mercados ucranianos são variadíssimos, pode-se encontrar de tudo. Neste também, com a diferença das pessoas. Camponeses e pobres ao que se podia perceber. E olhando para as famílias que por ali andavam também deu para entender quem são os ucranianos que vêm para Portugal. São da região oeste, das zonas predominante rurais, de influência histórica polaca e mais católica. Aliás, nota-se no físico. Os ucranianos do oeste e os de Portugal são muito mais arraçados com os polacos, caras largas, mais louros, mais matacões.

A estação terá sido também mais uma glória do socialismo soviético. Imagino que na sua inauguração tenha sido um leve edifício envidraçado, de arquitectura contemporânea, mas agora é apenas um barracão com paredes de vidro e umas cortinas bafientas e descoloridas.

No dito mercado notava-se claramente o peso da pobreza sobre as pessoas. É algo tangível, as pessoas são mais cinzentas, desgastadas por tudo o que passam. É um ambiente algo pesado e desagradável, que definimos como (sendo o inglês a língua franca entre um português um húngaro e uma sueca) «a shithole». E que eu, particularmente, acrescentei «The biggest shithole I've ever been to».

Andando da periferia para o centro, Kamyanets-Podilsky revelou-se uma cidade progressiva, segundo o zoltan. Começa mal para acabar bem. Depois dos subúrbios soviéticos, chegámos ao centro da cidade moderna. Também socialista, mas desta feita mais composta! Urbanização de promenades, quase tropical e com palmeiras de plástico. Tinha também um certo ar de decadência, mas não tão óbvio, como se debaixo quisesse florir um boom de crescimento. Uma decadência meio alegre onde os ucranianos se sentam à beira de uma fonte seca a apreciar o sol! E até mostrou que poderia ser uma cidade agradável com investimento na renovação e limpeza.

Ora chegados aqui, encontramos uma ponte sobre um enorme desfiladeiro, e do outro lado, no topo do monte, aquilo que procurávamos, a antiga cidade, o núcleo histórico. Curiosamente, após os primeiros minutos de passeio pelas ruas pequenas, a sensação mais discernível era a de estarmos numa vila portuguesa, do interior esquecido. As ruas eram as mesmas, de empedrado, e até os edifícios tinham aquela mesma arquitectura rural, não sendo difícil encontrar aqui e ali pérolas esquecidas do passado. Uma entrada do que pareceu ser uma antiga muralha, igrejas tão velhas que estavam a cair em ruínas. Com efeito, Kamyanets-Podilsky está esquecida! Todas aquelas jóias arquitectónicas estão simplesmente ao abandono. Vê-se já algum investimento na renovação, mas continua a ser residual. Por exemplo, no centro histórico vimos apenas 3 restaurantes, todos eles pequenos e nem por isso turísticos. Deu a impressão que daqui a 20 anos, aquele centro historico, se vai transformar numa espécie de Bruges, um recreio turístico. Mas se isso significa salvar todos aqueles edifícios parece-me muito bem!

Talvez que este sentimento de semelhança com Portugal se deva aos polacos. Boa parte daquela cidade foi edificada pelos polacos, quando a polónia ainda era polónia e quando a polónia costumava ficar na verdadeira localização histórica da polónia! Daí também o seu aspecto rural (os polacos são geneticamente camponeses, católicos e idotas como os portugueses).

O centro historico encontra-se numa colina, rodeada pelo desfiladeiro, mas a verdadeira glória de Kamyanets-Podilsky encontra-se mais adiante, numa outra ilha, isolada no meio do desfiladeiro também: o castelo!

É absolutamente lindo! A cidadela do castelo é como tantas outras, algumas muralhas com torreões a pontuá-las. A parte interessante é a vista que se tem lá de cima e as traseiras do castelo, cheias de elevações artificias e um complexo enorme de túneis e caves, que serviriam provavelmente de espaço de armazenamento e de passagem secreta entre o castelo, no topo, e o rio que cruza o desfiladeiro lá em baixo. Perdi-me que nem um puto!! Adoro castelos! Ainda mais aquele parecia saído duma história romanesca da idade média, só faltava saltar dalgum canto o rei Artur! (Hei-de por aqui algumas fotografias entre hoje e amanhã.)

Como sempre tivemos que sair a correr e não tivemos tempo para explorar o desfiladeiro lá em baixo, onde havia muitos pontos de interesse, entre eles uma igreja toda construída em madeira com um aspecto notavelmente antiquíssimo.

Fizemos uma viagem de autocarro de duas horas até à cidade mais próxima onde poderíamos apanhar um comboio para o próximo destino. A viagem foi bem interessante, pois pudemos ver paisagens que o comboio normalmente não atravessa. Ficamos todos de acordo que aquela zona não parece tão pobre quanto esperávamos e como seria natural de esperar depois de termos visto os arredores de Kamyanets-Podilsky. Haviam muitas casas boas, uma versão ucraniana dos subúrbios norteamericanos de bairros de casas unifamiliares de classe média. Suspeito que em parte isso se deve à imigração ucraniana e as remessas que mandam de volta para o país. Possivelmente também de Portugal.

Chegados então à cidade placa giratória Khmelnytsky e com umas 4 horas para matar até ao comboio sair, fomos ao guia consultar o que dizia sobre pontos de interesse. Nada!!!! Nem sequer tinha o capítulo de sightseeing!!! Apenas referia que era uma cidade moderna e para parar lá só em caso de necessidade. Mesmo assim não desmoralizamos e fomos até às ruas do centro comprar o jantar. E que agradável surpresa. Khmelnytsky estava cheia de mulheres boas e sofisticadas, ainda mais do que em kiev. Que coisa estapafúrdia!! E tinha também um ambiente de festa. Estava a ocorrer um concerto no que pareceu ser a praça principal... mas no escuro... ainda não há dinheiro para iluminar tudo!

No dia seguinte então desembarcámos em Dnipropetrovsk.

O leste Ucraniano
Dnipropetrovsk

Terceira cidade da Ucrânia, situada no que geralmente se designa por leste russófono, industrial, é o paradigma de cidade pós industrial. A economia foi tomada por grupos mafiosos oligarcas e o submundo é abundante!

Mas há que referir que a avenida principal de Dnipropetrovsk, que vai de uma ponta à outra da cidade (como se a avenida da liberdade fosse do terreiro do paço ao aeroporto), chama-se KARL MARX, da qual por acaso eu tenho uma fotografia da minha bela pessoa debaixo da placa com o nome da avenida em russo. Interessante é também o facto de a praça principal, atravessada pela Karla Marxa, chamar-se Lenine e ter uma gigantesca estátua do dito bem à frente dum edifício que outrora deve ter sido governamental e cuja fachada está proficuamente decorada com foicezinhas, martelinhos e estrelinhas. É uma bela praça!!!! Comentámos muitas vezes o que teria sido do socialismo se não tivessem gasto o dinheiro todo em armas. Se já assim a arquitectura comunista era grandiosa, linda, muito decorativa, imaginem como poderia ter sido se houvesse mais fundos.

Mas, sinal dos tempos, mesmo por cima da cabeça do Lenine, nesse mesmo edifício que terá sido sede do poder comunista, está agora o maior anúncio em néon que alguma vez vi... ao macdonald's! É um INSULTO!!! É típica arrogância capitalista. Já que os ucranianos se recusam a tirar aquelas estátuas e a mudar os nomes às ruas então tomem lá uma cagada de pombo gigante no vosso orgulho histórico, na vossa tradição! Aquele símbolo do macdonalds é claramente ideológico e mostra muito bem o que é a transição democrata na ex-urss. Felizmente as pessoas parecem-me ser mais sábias do que isso e resistem! Votam Yanukovitch!

De uma forma geral Dnipropetrovsk é uma cidade bem agradável, longe de ser miserável, nota-se que tem uma vida económica energética, embora injusta e muito pouco distributiva. Tem uma arquitectura predominantemente de estilo socialista grandioso, com certos ares de Budapeste, muito decorativa, embora não necessariamente intricada nas decorações. Nas margens do rio, o perfil muda. É residencial, quase rural, cada casinha com uma porção de horta ou algo semelhante. Com efeito, isso é algo que reparei também em kiev. As cidades cresceram tão depressa que engoliram pequenas aldeias à sua volta. Mas curiosamente, essas aldeias mantiveram-se de pedra e cal, a cidade simplesmente passa-lhes à volta. É também uma zona claramente mais pobre e degradada. Muito perto destas casitas de aldeia estão algumas ex glórias socialistas, como um pavilhão desportivo a cair de podre. Contudo, o mural na entrada ainda se mantém intacto e é de uma beleza estonteante. Cores muito vivas, amarelos, azuis e variados tons de vermelho representando ideal socialista de juventude, força e vigor.

A outra margem do rio está cheia de blocos de apartamentos e zonas fabris, com enormes chaminés e complexos de lata ondulada. O rio é bastante largo, como o Tejo e seria tão bonito não fosse o mau tratamento que lhe dão. Os ucranianos são culturalmente porcos!! Deitam lixo em todo lado, em todo o lado mesmo!!

Para ser um pouco mais justo, creio que isso se deve ao facto de haver um serviço de recolha e tratamento de lixos muito deficiente e apenas nos centros urbanos. Não é raro ver babushkas à beira da estrada a queimar montículos de lixo.

Dnipropetrovsk mais uma vez alargou o nosso leque de conhecimentos. Duas moças universitárias deram-nos um tour pela ilha de veraneio, com porções de areia que eles chama praia, mas na verdade são apenas dois palmos. Muito simpáticas, uma delas o zoltan está convencido que era lésbica, estudavam línguas e pertenciam àquela juventude reformista que vê em Yushenko uma esperança de endireitar o país. Espero que não se venham a desiludir, para bem da própria Ucrânia! Seria um desperdício alienar um país assim tão lindo.

A parte recente de Dnipropetrovsk, muito provavelmente responsabilidade dos oligarcas, está representada por duas enormes torres gémeas, cilíndricas, fálicas, o símbolo do novo poder. Nojentas!!!

Mas à sua volta ainda se encontram os bairros mais antigos, pré soviéticos, bem agradáveis, com poucos andares e fachadas de tijolo, com motivos decorativos, ainda que, por vezes, mal conservados. O tijolo parece ser o material dos pobres, mas os ucranianos, tal como os portugueses desenvolveram o azulejo, parecem ter desenvolvido a arte de construir em tijolo, conseguindo fachadas bastante airosas, com varandins e culunatas e pequenos relevos que quebram a monotomia dos edifícios típicos de tijolo, cujo arquétipo pode ser encontrado na Polónia. Além disso os ucranianos pintam os tijolos com cores variadas, dando vida às ruas, amarelos, verdes, azuis, vermelhos, são cores normais nas fachadas ucranianas.

quinta-feira, março 31, 2005

Mulheraças ucranianas

80% do comércio de prostituição de toda a europa de leste é de mulheres ucranianas. Para dar uma noção das proporções, a ucrania tem 40 milhoes de habitantes. A russia tem 200 miilhoes!!! A densidade de gaijas podres de boas por metro quadrado na ucrania é imbatível!! Parece-me que no pnud deveria haver uma categoria específica: MULHERES PODRES DE BOAS. A ucrania seria sempre a primeira potência mundial.

Ainda ontem estavam zero graus em dnepropetrovsk e elas andavamm com umas minisaias absolutamente tesudas!

Quando voltar a tugolandia vou por aqui mais algumas fotos. Vaca pançuda, preto, não sabem o que perderam!! Daqui a um ano as vacas das ucranianas já vão estar habituadas a turistas, já não levam nada! Agora é que ainda estão muito inocentes (pois pois hehehe).

domingo, março 27, 2005

Mais umas achegas a kiev!
Realmente esta cidade é enorme e estrábica como aquele comentador da rtp. Encontram-se coisas tão díspares como se se tratasse não de uma mas de várias cidades. O bairro de Podol (Podil em ucraniano), é um exemplar raro de arquitectura pré guerra que sobreviveu a ambas as chacinas econoclásticas do século XX, as primeira e segunda guerras mundiais.

Podol era um bairro popular às margens da cidade aristocrata do século XX, tem edifícios baixos, leves na decoração e ruas ainda pavimentadas com empedrado ancestral. Podol situa-se numa pequena elevação, tendo no topo uma igreja lindíssima de arquitectura italiana. É uma pérola fora do sítio. Se se percorrerem aquelas poucas ruas à luz nocturna da lua cheia (desde que cheguei têm estado as noites mais incríveis de lua luminescente), depressa se teme que um camião de tropas nazis vá a qualquer momento aparecer na esquina, de tal forma o tempo parou naquele bairrinho. Curiosamente, esta fantasia com os nazis tem sido recorrente! A aridez das paisagens urbanas, às vezes lindissimas, mas de uma beleza decadente, discreta, outunal, invoca involuntariamente aquele ambiente dos filmes de segunda guerra mundial.

Foi em Podol que encontramos um pequeno mosteiro onde, mais uma vez, se celebrava uma missa. A igreja ortodoxa parece-me agora muito misteriosa, intrigante e solene. Normalmente as igrejas-edifício são simples por forma, apenas 4 paredes, mas depois de entrar até os queixos caem por terra com a profusão de pinturas grandiosas e dourados cavernosos e esplêndidos. Assim a religião ortodoxa. Cobre o seu misticismo com a simplicidade.

Dito isto, espero que o totó do papa me excomunge, que este ateu não deseja a salvação eterna, mas a perdição imediata com alguma bela ucraniana.

Os bairros burgueses
Nas zonas centrais à volta do núcleo da cidade encontram-se os bairros mais aburguesados. Datam também do período da guerra fria e são tudo aquilo que vocês julgam que não são. Acolhedores, com passeios enormes, árvores, árvores e árvores em todas as ruas, pequenas zonas ajardinadas entre edifícios, em vez de carros, carros, carros. Os prédios náo tèm uma altura superior a 4 andares. Fico com a sensação de que se dinheiro fosse investido nesta cidade, teria uma qualidade de vida altíssima e uma vida social e cultural cosmopolita, como qualquer cidade europeia. E kiev já é pelo menos mais interessante que bruxelas. Ouviste Preto, traidor nojento???

Os bairros operários e miseráveis
Não são uma nem outra. O padrão de habitação que os comunistas estabeleceram deixa muito pouco espaço para considerações de valorização social. A maior parte da população de kiev vive em enormes blocos de apartamento nos arredores da cidade. À porta encontram-se estacionados os velhinhos ladas como volkswagens e skodas, carros que aqui são sinónimo de riqueza. Essa normalização dos alojamentos faz com que esses largos desfiladeiros de betão sejam o lar tanto das babushkas, como de mafiosos, estudantes como trabalhadores. É um ambiente em que se nota a pobreza, mas não o miserabilismo, desarranjo das ruas, mas não sujidade ou getização dos espaços.

Os ucranianos preferem distinguir-se socialmente por outras coisas. Nomeadamente, os dentes de ouro! Ter uma cremalheira em ouro deve ser muito importante para a imagem que as pessoas têm de si, porque é muito frequente encontrar gente com um ou dois cachuchos pregados na boca. Vê-se mais em pessoas já a caminhar para o estado de babushkismo. A juventude encontrou outras formas de se colorir na imensa dança do acasalemento: o tamanho das biqueiras. E não é das mulheres! Os homens usam sapatos como o aladino, as coisas mais improváveis que se possa immaginar! Quanto maior for o bico, mais o sapato custa e provavelmente mais os ucranianos acham que a sua pila cresce. Claro que já nem vale a pena falar dos telemóveis, toda a gente usa disso. Eles e elas pelam-se pelos modelos topo de gama, cheios de luzinhas coloridas.

Outra coisa importante no status são os vidros do carro. Seja um grand cherokee ou um lada a cair de podre, tem que ter vidos fumados!! É incrível a quantidade de vidros fumados que existe neste país.

Condução
Preferencialmente em cima do passeio. Para quê usar a estrada, ainda por cima cheia de buracos, quando se pode conduzir calmamente no passeio, poupando os amortecedores e tempo nas bichas?

Viajar na Ucrânia
Se portugal é lisboa, a ucrânia não é Kiev! O país nunca mais acaba e são precisas 24horas de comboio para o atravessar de oeste a leste e outras tantas para o fazer de norte a sul.

Como tal os comboios ucranianos não têm assentos, mas camas, e boa parte deles fazem apenas percursos nocturnos de 8, 9, 10, 11, 12, etc, horas. E que experiência!!! Os meus guias altamente especializados tornam o difícil fácil, mas para viajantes incautos viajar dentro da ucrânia deve ser um pesadelo. Não há nada em inglês e muito menos os funcionários dos caminhos de ferro falam inglês! Sorte é encontrar alguém que consiga falar inglês suficiente para manter uma conversa. Portanto, quando quiserem cá vir aprendam primeiro russo ou ucraniano.

A aventura começa nas KAÇAS, a comprar os bilhetes. Demora tempos infinitos. Primeiro a senhora confirma que existem camas, o que pode ser complicado porque, na ucrania, os transportes, apesar de excelentes em frequência e capacidade, andam sempre cheios. Depois pede os passaportes. A toda a gente! Todos os ucranianos têm um passaporte interno, no qual controlam todas as viagens que fazem. Resquicícios de um estado totalitário. Depois lá consegue imprimir o bilhete, depois de terem passado uns 10 minutos desde que fomos atendidos e após uns 20 minutos, senão mais, nas bichas.

A entrada nas plataformas é emocionante. Lá estão os velhinhos comboios soviéticos, velhinhos, mas eficientes, não se atrasam mais de 15 minutos e são bastante confortáveis para o dinheiro que o bilhete custa. Em terceira classe um bilhete para uma viagem de 12 horas e uma distância brutal, custa à volta de 30/35hrv (5 euros).

Apesar de soviéticos os comboios vinham equipados com 3 classes. A mais baixa tinha camas duras em espaços abertos por toda a carruagem e chamava-se kardplatz. A intermédia já tem compartimentos de 4 camas cada uma, bem mais macias e de seu nome COUPÉ. E a primeira classe, compartimentos com 2 camas, supunho que verdadeiras poltronas, mas essas não experimentei.

A kardplatz é uma verdadeira forma de viajar e conhecer pessoas! Num espaço semi fechado encontram-se 6 camas duras como ferro, do tamanho de anões e escasso espaço para as pessoas se movimentarem. Como as viagens são tão longas e começam a horas próximas do jantar, as pessoas levam normalmente o farnel, que logo armam assim que o comboio começa o andamento. Depressa se fazem amizades!! Junta-se a comida de dois grupos, oferece-se bebida e faz-se uma festa!! De uma forma geral os ucranianos são simpáticos e sentem-se curiosos com qualquer estrangeiro. É que viajantes na ucrânia ainda há poucos.

No comboio de Odessa para Lvov, aí já a viajar em coupé, conhecemos o Ilia e o Dima. Instalados quando chegámos, preparavam-se para jantar o seu frango assado, regado com uma vodka fraca, apenas 40% alcóol. Assim que perceberam que éramos estrangeiros meteram conversa e eis o início de uma bela amizade! Quando demos conta de nós, estávamos quase a ser obrigados a comer do seu frango e a beber da sua vodka em brindes sucessivos:
«Portugalia!»
«Ukraina!»
«Timoshenko?» «No! She?s lesbian from hell»
«Bruno!»

Boa parte da conversa foi em russo, mas lá consegui perceber as linhas gerais!!! Água mole em pedra dura tanto bate até que fura, o russo começa a tornar-se mais familiar e algumas palavras até já consigo descortinar na salganhada. Sei que o metro mais próximo aqui de casa é o PALATZ UKRAINA!!

Também no comboio para Odessa, encontramos o Alexander. Acabou por nos dar uma visita guiada ao centro de Odessa e ainda nos ofereceu uma garrafa de champagne da região de odessa. Por sinal, excelente. A nossa Francesa Frida disse mesmo que era tão bom, se não melhor que o francês, após dedicada degustação que deixou a garrafa vazia.

A paisagem humana é sem dúvida fascinante. Os ucranianos são ao mesmo tempo brutos, simpáticos, acolhedores e expansivos!!

Odessa
A Montecarlo do Mar Negro. A Mónaco do Leste! Que bela cidade. Cheia de ambiente cosmopolita, a que não será alheia a presença do porto de odessa e tantos marinheiros e tantas prostitutas!!

A influência dominante na arquitectura é francesa e o zoltan definiu-a como costa da caparica com estilo e alguma beleza. Sempre teve reputação de ser uma party town, além das actividades portuárias, que aliás lhe valem as credenciais por que é conhecida: as escadas de Potemkine. Escadas que aparecem no famoso filme o Couraçado Potemkine, a história da primeira revolta na armada russa que muitos acreditam ter dado fôlego decisivo à revolução bolchevique. Mas... as escadas são uma merda!! É uma desilusão do tamanho da sua importância histórica. Não passa de uma escadaria menos impressionante que as escadas da universidade de coimbra ou aquelas outras lá nos sítios de Lamego.

Felizmente que toda Odessa é uma surpresa agradável, uma cidade catita. Está estruturada à volta de ruas perpendiculares com traçado semelhante a promenades, com profusão de árvores e ariscos detalhes decorativos nas fachadas. Além dos quais possui ainda umas agradáveis alamedas, com pequenos jardins por todo o lado e toda a cidade tem prédios não mais altos que 2 ou 3 andares. Nota-se contudo a falta de dinheiro na renovação da cidade. Mas primeiro há que subornar metade do país, como tal essas coisas de renovação têm que ficar para segundo plano.

Lvov (lviv em ucraniano)
Chegar a Lvov, no ocidente da Ucrânia, um bastião nacionalista, é regressar ao século XVIII e, por vezes, dar uns saltinhos aos anos 40 do século XX. Esta zona simboliza a situação ucraniana muito bem: está na fronteira entre o ocidente e o oriente, na encruzilhada de civilizações e religiões.

Historicamente, lvov e a região em que se integre foi dominada sucessivamente por Polacos, Austrohúngaros, Polacos outra vez, Soviéticos, Nazis, de novo Soviéticos e desde 1991, por ucranianos. A fundação da cidade data do século XIII, responsabilidade dos Cossacos, antepassados culturais e genealógicos dos ucranianos actuais, mas foi um período relativamente curto. A expansão económica e física da cidade aconteceu já sob domínio polaco, quando lhe foi concedida aforria e Lvov se transformou cidade livre (de impostos) e entreposto comercial bem sucedido. Com a primeira partição da polónia no século XIII, o território caiu sob domínio austrohungaro, responsável pelo panorama actual da cidade, inspirada nas capitais Viena e Budapeste (menos visível) e ainda na capital de distrito - Praga. É profícua em estilos arquitectónicos e debruada em influências italianas. Neste aspecto os austroHUNGAROS foram um dos impérios mais fecundos da europa, deixando uma tremenda herança cultural.

Após a guerra e o colapso do império, o território reverteu para a Polónia até à segunda partição em 1939, quando os polacos foram divididos entre o III Reich e a URSS, e Lvov caiu em mãos soviéticas. Aquando da invasão da áera, Lvov foi das poucas cidades não bombardeadas e daí que se tenha mantido intacta.

Nenhuma cidade na ucrânia é igual a outra. Cada uma tem a sua identidade própria, mas, o que é mais visível, na arquitectura, os estilos díspares e ambiências variadas.

Chegámos a Lvov às seis da matina, quando a neblina matinal levitava sobre a cidade. As ruas praticamente vazias, sem qualquer outro sinal de modernidade que os cabos de electricidade do eléctrico. Todas as ruas, todas, continuam com o pavimento original em empedrado de basalto deixado pelos polacos aquando do primeiro boom de crescimento da cidade. Cada fachada tem elementos decorativos, clássicos, barrocos, inidentificáveis! E a cidade pinta-se de uma palete de cores que vai do cinzento, ao castanho, matizes variadas de laranja e ocasionalmente algumas cores mais vivas, como verde, azul ou vermelho. Apenas que a pobreza da cidade é visível, não só no abandono dos edifícios mas nas ruas semivazias de carros e apenas carrinhos soviéticos ? LADA.

Alguns bairros, ao estilo de Viena, são ainda mais lindos do que em viena. Algumas zonas, ao estilo de praga, são ainda mais decorativas e charmosas do que a capital da Boémia. Tudo porque desde cedo as autoridades impunham como regra de urbanização que nenhum edifício a construir podia ser igual a algum dos já existentes. Lvov tem uma beleza outunal, mas por pouco tempo. Provavelmente o turismo vai tomar conta da cidade, transformando-a num sítio glamoroso, onde já não se poderá imaginar mais que a qualquer momento pode aparecer uma liteira a descer a rua ou que um jipe com soldados da segunda guerra está a atravessar a cidade.

Outra coisa interessante em Lvov é a religião, também ela uma mistura da oriental ortodoxa e da ocidental católica. Assim inventada para satisfazer as necessidades e sensibilidades de uma cidade onde eslavos, alemães, russos, arménios, judeus, se concentravam. Chama-se Igreja ortodoxa grega e o culto é uma mistura de práticas católicas com práticas ortodoxas, sem mais!

Lvov é actualmente o centro do nacionalismo ucraniano, sem razão nenhuma! Nunca naquela cidade os ucranianos tiveram direitos nenhuns ao longo dos séculos, não contribuiram em nada para a sua edificação nem para o seu estilo e ainda por cima estão culturalmente diluidos com os polacos!! O nacionalismo que deu para perceber que lá cresce, supostamente proocidental e Yushenkista, é antes muito fechado e hostil aos estrangeiros! Mas as pessoas, tirando essa tara nacionalista manhosa, são agradáveis. Conhecemos um lvoviano, licenciado em filosofia e arquitectura, chamado Roman. Deu-nos uma visita fantástica da cidade por apenas 20 hgr.

Foi uma situação que nos aborreceu a todos! Eis um tipo educado, muito culto, que até falava sueco, reduzido a caçar turistas quando no mesmo país existe uma feira de vaidades, uma luta por sair da pobreza mais superficial possivel. Gente só preocupada com roupa, telemóveis e etc. País injusto, mas também mundo injusto. Como é que nós podemos estar aqui e o Roman tem que se esfalfar por umas ghrivnias extras?

Quem quiser beleza, vá a Lvov!!!!!!! Quem quiser ver ucranianos a usar bonés do sporting então pode ir a Odessa.

Até breve!